
Apesar de pensar o quanto a vida possa ser injusta, não há o porquê de ter raiva dela... Cada dia vivido será um passo dado em direção ao que se quer chegar ^^
Não fora uma única vez que sua queda aconteceu... Em cerca de 1 ano ela passou por 5 quedas sem sofrer trauma algum para a sorte dela e nossa. A maioria delas eu pude resgatá-la, porém não foi muito legal saber que as quedas se tornaram frequentes.
Estranhamos essa sequencia de desequilíbrios que ela teve e então resolvemos retornar ao médico neurologista, que chegou a conclusão de que seria melhor encaminhá-la a um especialista no assunto que por acaso era um amigo dele... Marcamos a consulta assim que o ano virou... E por incrível que pareça, ela teve uma súbita melhora na saúde... Algumas medicações foram alteradas, dosagem de outras também, e em um intervalo de 2 semanas ela estava caminhando sozinha com o auxílio de uma bengala de 4 apoios.
Para a alegria de todos, ela voltara a fazer tudo, tinha dificuldade ainda, mas NADA se comparado ao que vivia até então. A dificuldade ainda pegava quando a questão era se levantar da cama... Mas de restante estava tudo bem... Porém mais um drama estava por vir...
Em Março de 2009, na madrugada ela estava a caminho para o banheiro. Andava utilizando a bengala, mas novamente sentiu o desequilíbrio e foi ao chão... dessa vez ainda no quarto, por ter caído "de lado" a maior parte do peso fora para seu lado esquerdo, resultando na fratura do fêmur... Ela foi internada e no dia seguinte passara por uma cirurgia de implante.
Toda a recuperação até o acidente voltou a estaca zero... Novas sessões de fisioterapia, desconfortos para ela, situações de tristezas por ela não conseguir fazer nada... Não foi e não é nada fácil para ela...
Demorou até ela deixar de sentir dores pela adaptação a prótese, mas voltou a caminhar em ritmo completamente diferente ao anterior, agora necessitando de ajuda para qualquer movimento que precisasse de esforço maior como se levantar... Tais acontecimentos abalaram toda a estrutura familiar... Nervosismo, stress, tristeza e até depressão por parte dela e dos demais dentro da casa.
Eu não sou a pessoa que exatamente estava "sem fazer nada" mas dentre todas, eu era a que mais estava "apta" para cuidar dela. E por amá-la mais do que qualquer um dentro da família, decidi abdicar um pouco da minha vida para ela, ou melhor falando, dedicar minha vida a ela, como um pouco do que eu poderia fazer para agradecê-la por tudo.
A partir desse dia, não só a vida dela, como a da família agora começou a mudar completamente... Mais sofrimentos e dores tomaram conta do ambiente...