Liberdade sem asas
23.5.13
O desespero toma conta...
De repente você se sente perdido, sufocado por tantos problemas e não sabe mais o que fazer. E quando você se desespera, uma mão lhe é estendida e aponta para a luz no fim do túnel. Amigos existem estejam eles longe ou ao seu lado.
No decorrer do ano de 2009 conheci pessoas das quais senti suas considerações em me ajudar a nadar até a superfície para respirar. As coisas não foram fáceis, foi um ano muito difícil para todos em casa. Muitas mudanças repentinas de rotina, humor e comportamento aconteceram. O stress dominou a mente de todos.
Tudo o que eu quis e ainda quero é manter a saúde dela o mais estável possível. Apesar de ser uma doença silenciosa na qual não há nenhum sintoma visível a olho nu inicialmente, ela passou a apresentar debilitação após as quedas que teve. Uma fratura no fêmur e ainda no mesmo ano outra na coluna fez com que seus movimentos regredissem um pouco devido aos repousos que tivera que fazer.
Enquanto cuidávamos dela, o nosso sofrimento tinha que ser mascarado de alguma forma para não demonstrar a ela e evitarmos o risco de agravar seu estado psicológico, pois já apresentava pontos de depressão devido a vários fatores de cunho familiar e físico.
Para disfarçar, cada um usava de seus artifícios como hobby ou até mesmo trabalho porém, eu não tive a mesma "praticidade". Me manter dentro de casa somente com os afazeres domésticos esgotava o meu estado mental. Perdi a paciência para muitas coisas as quais eu sentia prazer em fazer, como assistir a um filme, ou desenhar. Junto com o psicológico o cansaço físico era muito grande, tendo que cuidar de tudo sozinha durante 15 horas diárias sem parar. Lavar, passar, limpar, arrumar, cozinhar, e dar o suporte que ela precisava, eram tarefas extremamente exaustivas no início, mas encarei, pois sabia que não passaria de apenas uma fase de adaptação.
Apesar de ter colocado minha vida em segundo plano para ajudar em casa e no que fosse preciso, comecei a sentir a cada dia que passava um vazio, pois os contatos externos que tinha no ano anterior praticamente desapareceu. Raras foram as vezes que saí para um passeio, e contáveis nos dedos as vezes que consegui encontrar com alguém. Meus melhores amigos com quem eu era acostumada a conversar muito e sair em época universitária passaram a ser melhores amigos virtuais, pois mais nos víamos por webcam do que pessoalmente.
Senti que estava cada vez mais "abandonada e só", não me sentia motivada a nada, e então era de se perceber que a depressão aos poucos vinha me visitar sorrateiramente. Calada e muitas vezes sem fazer nada, ficava presa ao computador em busca de distração, talvez alienada seja um termo certo pra me descrever durante esse período. Nesse "meio de distração" surgiu um caminho novo o qual me apresentou pessoas maravilhosas com as quais mantenho amizade até hoje. Não sei e talvez nunca saberei como que tudo isso aconteceu. Mas descrevo como uma explosão, na qual cada uma delas foram um pedaço, um estilhaço que me atingiu a me despertar. Quando eu não aguentava mais se me senti sem forças para continuar o caminho, pensando até em partir do mundo, todas estenderam a mão para me acudir. Não tenho palavras para expressar minha gratidão a todas elas. Mesmo que muitas não saibam da ajuda que me deram, agradeço a todas elas que conheci a partir do segundo semestre do ano de 2009. Esse não foi um ano bom, foi um dos mais, se não o mais complicado que vivi até hoje, mas foi o que abriu a porta para muita gente entrar em minha vida e passar a fazer parte dela.
O ano seguinte foi um ano bem melhor, as coisas clarearam na minha mente, e aos poucos e lentamente fui retomando meu caminho para atividades que sempre gostei de praticar nas horas vagas: fazer arte. Mas essa história fica para uma próxima postagem.
Obrigada a vocês todos que lêem este blog e a vocês amigos que me apoiam até hoje. Não citarei nomes, pois cada um deve saber que me ajudou muito.
Então até a próxima!
*voa*
7.2.13
A pior dor...
Nunca dê as costas a quem lhe pedir ajuda. Você nunca sabe quando precisará de uma. Se você quer um mundo melhor, comece por ti mesmo.
Todos os dias desde quando descobrimos que ela estava com Síndrome Parkinsoniana, as tensões só aumentaram.Tudo o que fazíamos tinha algo de errado, pois não estava como ela costumava fazer...
Aquela perfeição de colocar a toalha sobre a mesa. O modo como cortava os ingredientes para cozinhar... Aquela visão que a maioria das crianças tê de suas mães. Ela pedindo ou mandando você ajudá-la e a gente só reclamava...
Hoje eu sinto falta disso... Coisas pequenas que aconteciam e que aos poucos foram sumindo do dia a dia....
E em seu lugar as lágrimas que caem dos olhos pela dor de não poder mais ter isso da forma que era, e também pela dor que ela sente em querer e não conseguir fazer o que quer.
As limitações começaram a aparecer aos poucos sem se quer termos tempo para digerir tudo o que estava acontecendo. A correria do dia a dia só nos fazia pensar em adaptações. E com o pouco que nos resta do dia, nos deitamos para dormir com a cabeça cheia pensando só nas tarefas do dia seguinte.
Assim o stress e a melancolia começou a tomar conta das nossas mentes.
Em uma luta constante, todos se unem para não deixar que a dor nos vença.
1.11.12
Seguindo seus passos...
Nunca esqueça, seus pais existem para te guiar e fazer de ti um ser humano digno da vida que leva. Não vire as costas a quem sempre será o primeiro a lhe apoiar na pior das dificuldades.
Alguns meses se passaram, as coisas em casa continuavam caminhando de uma forma rotineira, minha mãe se recuperou da fratura em sua coluna, e voltara a fazer fisioterapia, porém o rendimento caiu, pois ela regredira e perdera tudo o que havia ganhado antes da ultima queda.
Novamente sentimos como se recomeçássemos do zero, mas com toda a carga de preocupações na família toda, eu não aguentava mais, sempre tentando manter tudo sob controle porém, era muito pra minha pessoa. O stress, cansaço e as horas que deveriam ser de lazer eram gastas para cuidados com a casa também... perdi os finais de semana. A família no geral, não era mais a mesma, ou digamos que era a mesma, e ninguém tentou adaptar suas vidas para o que estava realmente acontecendo...
Muitas coisas eu gostaria de citar aqui como um desabafo, mas não sei se devo pois nem ao menos a autorização das mesmas eu tenho para citá-los aqui. Mas tive sim que contar com o descaso de algumas pessoas, ou até mesmo a imposição e opressão de outras. Então, sentindo sem forças, resolvi entregar todas as minhas vontades aos deveres domésticos da casa.
Como dito na postagem anterior, 2009 não foi um ano muito bom, e chegando ao final dele eu não tinha nenhuma recordação boa no sentido de realizações dos meus desejos. Não que eu não tenha tirado uma boa lição de tudo o que estava acontecendo, me amadureci muito, mas me senti até velha e amargurada ao final desse ano, tentando apenas tapar o Sol com a peneira, sorrindo para todos, tentando mostrar que eu estava forte quando na verdade estava mais fraca que qualquer graveto seco.
Então resolvi impor a mim mesma, que 2010 seria um ano diferente.
Mais uma vez agradeço a quem passar por aqui.
Espero que estejam gostando
Bye bye *flying*
Mais uma vez agradeço a quem passar por aqui.
Espero que estejam gostando
Bye bye *flying*
8.9.12
O amigo das horas inusitadas...
Não se preocupe, não entre em desespero, respire fundo, pois o seu amigo chegará na hora certa.
Você pode se sentir sozinho quando a situação fica extremamente fora de controle. Eu passei por isso, e posso afirmar com toda a certeza, que se eu me senti assim, conheço uma pessoa que se sentiu pior... minha mãe.
Durante todo esse tempo, ela vem lutando dia após dia contra essa doença que a cada dia que passa tenta dominá-la e privá-la de todas as coisas que sempre gostou de fazer.
Logo após a queda na qual fraturou sua 4ª vértebra da coluna cervical, no final de 2009, o que estava quase "sob" controle, tornou a desandar e novamente tivemos que passar por uma fase de readaptação, porém essa fora a mais longa de todas...
O ano de 2009 não foi dos melhores para a família inteira. Muitas intrigas, desentendimentos por conta de stress, cansaço físico e mental. Mas continuei a pensar que tudo ainda era por um motivo maior que viria futuramente. Apesar de todos os obstáculos, tive apoio de muitos amigos, os quais não preciso citar nomes, pois sabem que fazem parte da minha vida. Aquele ombro amigo, ou apenas o ouvido amigo que aguentou todos os meus desabafos, minhas lágrimas. Onde fosse, quando fosse, era só eu chamar e amigos, de cursinho, faculdade, ou até mesmo virtuais à distâncias ENORMES, apareciam para me confortar.
Esta postagem é dedicada à todos que fazem parte da minha vida, que me fazem rir quando estou triste, quando choram comigo quando sentem a minha angustia. E para aqueles que simplesmente estão quando eu preciso.
Obrigada à vocês, amigos e amigas!
Um grande abraço a todos!
28.3.11
Ficando para trás... o desespero...
As vezes nos sentimos abandonados, ou então parece que tudo está andando enquanto você fica parado, estagnado até a desmotivação te visitar... Pare, feche os olhos e pense, que nada é por acaso. Com certeza há um propósito maior a sua espera. A esperança sempre está presente!
A recuperação prosseguiu, sessões de fisioterapia voltaram a rotina dela, com muito mais dificuldades, já que agora, um corpo estranho fazia parte de seu organismo... Com um pouco de dificuldade, conseguiu se adaptar a sua prótese no fêmur. Aos poucos voltava a caminhar, mas o incerto passou a ser certo... a dependência pelo aparelho "andador". Meses se passaram, para ser mais preciso, sete meses, já mais confiante de caminhar e sentindo menos dores em sua região operada já conseguia caminhar com o andador sozinha, lentamente sem o auxílio de uma mão a segurar seu braço. Ainda necessitava de uma companhia em sua retaguarda para precaução em caso de queda, mas tuo estava indicando uma ótima recuperação... Mas ningúém esperava que um dia algo pior estava para acontecer...
Novamente a cena se repetiu, a cena que levou ela a cirurgia do implante no início daquele mesmo ano... uma nova queda. Caíra sentada o que nos assustou muito para a nossa preocupação. Sem hesitar, procuramos o mesmo médico ortopedista que a examinou na ocasião da primeira queda. A notícia que estava por vir, não era tão grave, mas que era de grau bem delicado. Nada aconteceu a sua bacia e sua pernas, porém uma fratura em sua quarta vértebra inferior, um suposto achatamento da mesma levou-a a usar colete de barbatanas para sua recuperação. O alívio veio quando o médico comunicou que não havia necessidade de cirurgia. Ela usou o colete por cerca de um mês, já que ela é uma pessoa de vida não muito ativa em decorrência da doença e cirurgia que havia sofrido.
A situação clamava por um tempo de sossego, exigiam um descanço para ela e todos que a rodeavam, pois o desespero estava a cada dia tomando conta de nossas mentes.
Foi então que minhas crises aumentaram, mal conseguia me segurar perante ela... Ao ver o estado de desmotivação dela por estar tão limitada em sua vida me levava ao choro, o que me fazia correr para o quarto. Pensar que estava pesado para todos da família, era algo angustiante pensar que para ela era ainda pior... Um dia, sem exitar, ela não se conteve e soltou lágrimas de desespero, soluçava a ponto de faltar ar, gemia ao chorar como uma criança indefesa... Ao presesnciar tal cena, senti um aperto em meu peito que parecia estrangular meu coração, mas a unica coisa que eu podia fazer era tentar sorrir e fazê-la rir e encontrar algum motivo para não chorar...
Cada dia que se passou desde então foram sofrimentos contínuos em nossas mentes, emoções que incansávelmente buscam uma solução para não dar lugar as lágrimas...
25.1.11
Guiando seus passos...

Apesar de pensar o quanto a vida possa ser injusta, não há o porquê de ter raiva dela... Cada dia vivido será um passo dado em direção ao que se quer chegar ^^
Não fora uma única vez que sua queda aconteceu... Em cerca de 1 ano ela passou por 5 quedas sem sofrer trauma algum para a sorte dela e nossa. A maioria delas eu pude resgatá-la, porém não foi muito legal saber que as quedas se tornaram frequentes.
Estranhamos essa sequencia de desequilíbrios que ela teve e então resolvemos retornar ao médico neurologista, que chegou a conclusão de que seria melhor encaminhá-la a um especialista no assunto que por acaso era um amigo dele... Marcamos a consulta assim que o ano virou... E por incrível que pareça, ela teve uma súbita melhora na saúde... Algumas medicações foram alteradas, dosagem de outras também, e em um intervalo de 2 semanas ela estava caminhando sozinha com o auxílio de uma bengala de 4 apoios.
Para a alegria de todos, ela voltara a fazer tudo, tinha dificuldade ainda, mas NADA se comparado ao que vivia até então. A dificuldade ainda pegava quando a questão era se levantar da cama... Mas de restante estava tudo bem... Porém mais um drama estava por vir...
Em Março de 2009, na madrugada ela estava a caminho para o banheiro. Andava utilizando a bengala, mas novamente sentiu o desequilíbrio e foi ao chão... dessa vez ainda no quarto, por ter caído "de lado" a maior parte do peso fora para seu lado esquerdo, resultando na fratura do fêmur... Ela foi internada e no dia seguinte passara por uma cirurgia de implante.
Toda a recuperação até o acidente voltou a estaca zero... Novas sessões de fisioterapia, desconfortos para ela, situações de tristezas por ela não conseguir fazer nada... Não foi e não é nada fácil para ela...
Demorou até ela deixar de sentir dores pela adaptação a prótese, mas voltou a caminhar em ritmo completamente diferente ao anterior, agora necessitando de ajuda para qualquer movimento que precisasse de esforço maior como se levantar... Tais acontecimentos abalaram toda a estrutura familiar... Nervosismo, stress, tristeza e até depressão por parte dela e dos demais dentro da casa.
Eu não sou a pessoa que exatamente estava "sem fazer nada" mas dentre todas, eu era a que mais estava "apta" para cuidar dela. E por amá-la mais do que qualquer um dentro da família, decidi abdicar um pouco da minha vida para ela, ou melhor falando, dedicar minha vida a ela, como um pouco do que eu poderia fazer para agradecê-la por tudo.
A partir desse dia, não só a vida dela, como a da família agora começou a mudar completamente... Mais sofrimentos e dores tomaram conta do ambiente...
29.11.10
Asas construídas também se quebram...

Nem sempre aquela "asa" que pensou ter desenvolvido permitirá que voe longe... Mas talvez um curto espaço e então você voltará a terra firme... Mas nada te impede e nem impedirá de tentar voar novamente... Persista e alcançará o objetivo.
O tempo passou "calmamente" aos poucos a vida "voltava" ao normal... Minha mãe voltou a fazer suas coisas, claro que um auxílio de quem estivesse por perto, mas em sua maior parte realizava sozinha suas vontades...
Sessões de fisioterapia foram programadas durante a semana... Mas um dia eu fui surpreendida por uma cena ao retornar da faculdade no horário do almoço...
Encontrei minha mãe caída no chão da área de serviço... Ela lavava a roupa quando sentiu um desequilíbrio e foi ao chão, por conseguir amortecer sua queda se segurando no tanque, ela não se machucou, mas não recuperou forças para se levantar sozinha resultando em cerca de 2 horas se mantendo naquela posição, deitada no chão... o telefone não estava ao seu alcance, restando somente esperar que alguém chegasse...
Quando cheguei em casa estranhei que eu não a vi dentro de casa, então ouvi sua voz baixa e ligeiramente trêmula, corri e a acudi. Preocupada com a situação e seu estado, eu a "examinei" para verificar se não havia nenhum sinal de machucado ou trauma, e felizmente nõ havia acontecido nada.
A partir desse dia, minha perocupação só aumentou, pois a sensação de deixá-la só em casa era cada vez maior a cada dia que se passava... Então na sessão seguinte de fisioterapia, a terapeuta indicou o uso de uma bengala de quatro apoios... Não foi um choque ouvir isso e nem o fato de que minha mãe necessitaria deste auxílio um dia, então o mais cedo possível , meu pai e eu fomos a procura de um... Ela não demorou muito para se adaptar com o instrumento, mas ela ainda tinha certas dificuldades quanto a "sincronia".
Nesse momento, a unica coisa que pensei foi: "A etapa começou a avançar... Vamos ter que continuar firmes e fortes" mesmo sem saber que coisas piores estavam por vir...
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